sábado, 4 de abril de 2015

Logo na minha frente

É estranho. Escrever sem inspiração, sem roteiro, sem nada na cabeça. É como uma sensação de que você não pertence à tal lugar, ainda mais levando em consideração uma pessoa como eu, que sempre gostou de controlar as coisas e ter tudo em seu devido lugar. Eu sou alguém que diz que quanto mais simples as coisas são, mais chances isso tem de dar certo. Talvez por isso não me dou bem com pessoas, a coisa mais complicada e imprevisível que já existiu.

É meio antissocial dizer isso, é verdade mas eu não ligo. Não que eu seja antissocial, eu apenas não gosto de ser simpático toda hora, afinal esse não sou eu e não tenho saco pra ficar sorrindo pra quem não conheço. Bom, a verdade é que eu não gosto de ser forçado a sair da minha zona de conforto, não gosto de experimentar, porque já sei que não vai dar certo. O novo assusta. Não é um monstro, mas a adaptação é um processo difícil de se adaptar (rá!), no qual exige da cabeça do ser humano uma visão diferente, de que o mundo não é só aquilo que estamos acostumados.

Sim, esse texto tá cada vez mais viajado. Não, eu não uso maconha.

Esse parágrafo seria perfeito pra voltar para o assunto do texto, mas isso sequer tem assunto. É apenas um cara entediado e que não consegue se empolgar com a TV, procurando escrever depois de meses e não tem ideia do que fazer. Me sinto como se isso fosse um diário, onde apenas deposito meus pensamentos e depois de um tempo poderei ler e ver como me sentia. Com certeza vou sentir o mesmo sono que sinto agora. Eu sempre tenho sono.

"Se meus olhos tirassem fotos, eu só ia olhar para você."

O quão brega é isso? Meu deus, eu preciso me apaixonar logo. Sério, quando alguém começa a pensar em frases românticas de efeito do nada, é sinal de que as coisas não andam como deveriam. O difícil tem sido mesmo é encontrar alguém interessante. É exatamente o caso que comentei outro dia: "A pessoa perfeita não existe, mas existe alguém perfeito pra você". O que me lembra outra frase que também tem muito a ver com meus últimos dias: "Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço", afinal, como bom julgador de pessoas e cara de gosto exigente, não consigo encontrar alguém interessante. Quando encontro, a natureza faz sua parte.

Algo que tem interferido seriamente no processo é minha autoestima. Não gosto de usar essa palavra, não me soa hétero o suficiente, mas ainda sim é a que mais se encaixa então não tenho muitas opções. O que acontece é que eu sofro algum tipo de bipolaridade interna, porque em um momento eu posso ser um dos mais arrogantes e convencidos caras da cidade, mas em outro eu me acho inferior a todos. Ultimamente tenho me encaixado mais no segundo estado. É algo que preciso trabalhar pra virar o jogo e quem sabe virar o jogo.

O interessante sobre mim é toda essa bipolaridade interna que tenho convivido desde que me recordo. Por exemplo, eu quero sempre ajudar meus amigos e vê-los felizes - talvez esse seja o momento em que minha face racional mais fique de lado - mesmo que os critique, exponha opiniões contrárias ou coisas do tipo, tudo isso porque quero o melhor pra eles e acho que uma opinião de quem pensa com o cérebro pode influenciar. Mas a verdade é que eu não aguento mais ficar feliz pelos outros, eu quero que os outros fiquem felizes por mim também. Eu mereço isso, sou uma boa pessoa. Não sou dos melhores, mas tem gente pior que não sabe aproveitar o que tem, coisa que eu tento fazer ao máximo.

Hoje me considero 80% satisfeito com o meu "eu". Eu tenho um emprego, um óculos de sol, headphones, vivo o melhor momento com minha melhor amiga, moro no centro, deixei o passado no passado, começo a fazer academia na segunda, tenho uma conta "Premium" no Spotify e dinheiro pra sair quando quiser e com quem quiser. O que me falta agora é esse "quem". Me faltam mais amigos, alguém que eu possa chamar pra sair e aceite na hora. Preciso de amigos que me apresentem amigos que me apresentem pessoas interessantes e que me façam feliz.

Não gostei desse texto. Isso não teve sentido nenhum e mostrarei pra um seletíssimo grupo de pessoas, porque isso é simplesmente uma extensão dos meus pensamentos, ou seja, um monte de lixo que pouquíssimas pessoas estariam interessadas e ninguém concordaria. Apenas a extensão do pensamento de um ex-escritor que hoje não consegue fazer frases de efeito ou usar palavras mais sofisticadas como antes. Isso é apenas uma parte do inferno de milhões de coisas que acontecem simultaneamente dentro de minha cabeça. 

E isso é o fim.